Que jogue a primeira pedra, aquele que nunca errou.

Em tempos de redes sociais aceleradas e julgamentos imediatos, é comum que falas recortadas ganhem mais força do que a trajetória de quem as profere. Foi exatamente isso que aconteceu com Nitinho.

Sim, é possível reconhecer que houve um excesso na forma. A comparação feita por ele, ao mencionar a orla de Maceió, gerou incômodo sobretudo entre os alagoanos, que com razão têm orgulho de uma das orlas mais bonitas do Brasil. Ignorar isso seria desonesto. Mas reduzir Nitinho a esse episódio é, no mínimo, injusto.

Quem conhece Nitinho de verdade sabe que ele nunca foi um homem de atacar por atacar. Muito pelo contrário. Sua história sempre esteve ligada à valorização da nossa gente, especialmente da juventude. Quantas gerações tiveram acesso a experiências que talvez nunca teriam, como as viagens para o surfar em Itacaré? Quantos jovens encontraram no esporte, na convivência e nas oportunidades promovidas por ele um caminho diferente? E isso não é discurso, é prática.

O ponto central da fala dele não era Maceió. Era Aracaju.

Era um alerta.

Quando Nitinho sobe ao púlpito para questionar processos de privatização na nossa orla, ele está, essencialmente, levantando uma preocupação legítima: o risco de descaracterização de um patrimônio que é de todos. A orla de Aracaju não é apenas um cartão-postal. Ela é espaço público, democrático, acessível. E qualquer mudança estrutural precisa, sim, ser debatida com responsabilidade.

O erro foi na comparação? Foi. Mas o alerta é válido.

E mais: transformar esse episódio em um linchamento coletivo diz mais sobre o momento que vivemos do que sobre o próprio Nitinho. Em vez de somar, muitos preferem se omitir ou até se distanciar. É aquela lógica covarde do “deixa cair pra não respingar em mim”.

Mas liderança de verdade não se mede nos momentos fáceis.

Nitinho tem história. Tem serviço prestado. Tem relação com o povo e não é de hoje. Isso precisa pesar na balança. Uma fala infeliz não apaga anos de atuação.

Sobre comparações entre cidades, é fato que cada capital tem seus desafios. Maceió, por exemplo, enfrenta problemas estruturais importantes em áreas como desigualdade social e impacto urbano decorrente de crises ambientais recentes. Aracaju, por sua vez, historicamente apresenta indicadores sociais mais equilibrados em alguns aspectos, como planejamento urbano e qualidade de vida. Isso não torna uma melhor que a outra, mas mostra que o debate sobre crescimento e ocupação urbana precisa ser feito com responsabilidade.

E é exatamente esse o ponto que Nitinho tentou trazer.

Talvez da forma errada, no momento errado, mas com uma intenção que não pode ser ignorada: proteger o que é nosso.

No fim das contas, o que Sergipe precisa não é de mais divisões, mas de união em torno de quem tem compromisso real com o município. E Nitinho, com todos os seus acertos e erros, já demonstrou que está desse lado.

Cabe a nós decidir se vamos nos apegar a um recorte, ou considerar a história inteira.

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Que jogue a primeira pedra, aquele que nunca errou.

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