Fábio Mitidieri sempre foi reconhecido como um político fiel aos seus princípios, coerente com aquilo em que acredita e leal aos compromissos que assume. Essa fidelidade ideológica, que para muitos é virtude, também pode se tornar um fardo quando o peso de sustentar determinadas alianças passa a recair quase que exclusivamente sobre os ombros do próprio governador.
Na política, convicção é importante. Mas ponderação é essencial. Especialmente quando o custo de “tracionar tudo sozinho” começa a se tornar alto demais. Não apenas no campo administrativo, mas, sobretudo, no terreno eleitoral.
Um dos seus principais aliados, conhecido regionalmente como o deputado da usina, enfrenta hoje um visível desgaste em sua base histórica, especialmente no município de Capela e em toda a região do entorno. Esse desgaste não surge do nada: ele se acumula ao longo do tempo, fruto de uma trajetória política marcada por rejeições recorrentes e dificuldades de renovação de imagem.
O cenário recente evidencia isso. Durante o período carnavalesco, manifestações populares em tom de sátira, algo comum na cultura política nordestina, acabaram expondo, de forma simbólica, o nível de distanciamento entre esse aliado e parte significativa da população local. Não se trata de ataques formais, mas de sinais claros de um ambiente político adverso, que não pode ser ignorado.
Esse contexto importa. Importa porque Fábio Mitidieri, goste-se ou não, já desponta como alguém que deverá enfrentar uma disputa dura pela frente. Nomes como o de Valmir de Francisquinho surgem no horizonte como potenciais adversários competitivos. Mas, independentemente de quem venha a ser o concorrente, o desafio maior talvez não esteja fora, e sim dentro do próprio campo de alianças.
Hoje, é perceptível que poucos desejam se aproximar politicamente do deputado da usina. O isolamento fala por si. E quando uma liderança passa a gerar mais ônus do que bônus, a pergunta que se impõe é simples, ainda que incômoda: até que ponto vale a pena manter esse peso?
Talvez seja hora de Fábio Mitidieri fazer o que a política madura exige: aliviar a carga, redistribuir responsabilidades e concorrer mais leve. Governar e disputar eleições não precisam ser exercícios de resistência solitária. Às vezes, sangrar na carne é menos danoso do que carregar, sozinho, um fardo que já não se sustenta.
Em outubro deste ano, máscaras devem cair.



