O jornalista, respeitado e catedrático amigo Higor Trindade, fez uma provocação legítima, respeitosa e necessária ao debate público: afinal, em qual Rogério Carvalho devemos acreditar? No que criticava Fábio Mitidieri ou no que hoje aparece ao lado dele?
A pergunta é boa. Mas talvez a resposta não esteja no palanque. Esteja na história.
Porque política não pode ser reduzida à fotografia do dia, à aliança da semana ou ao recorte mais conveniente da disputa. Política também é trajetória. E, nesse ponto, Rogério Carvalho não começou ontem, não nasceu de acordo eleitoral e não se explica apenas por estar contra ou a favor de A, B ou C.
O verdadeiro Rogério é o médico que ajudou a colocar de pé, em Aracaju, uma experiência que virou símbolo de atendimento de urgência: o SAMU. É o gestor que passou pela Secretaria Municipal de Saúde, pela Secretaria de Estado da Saúde, pela Câmara Federal e pelo Senado carregando uma marca muito clara: saúde pública, serviço público e presença do Estado na vida de quem mais precisa.
Pode-se discordar de Rogério. Pode-se cobrar Rogério. Pode-se questionar Rogério. Isso faz parte da democracia. Mas é pequeno tentar resumir uma vida pública inteira a uma mudança de posição política.
Mudar de opinião não é crime. Rever caminhos não é pecado. Construir pontes, quando o interesse maior é Sergipe, não deveria ser tratado automaticamente como contradição. A pergunta correta talvez não seja “de que lado Rogério está?”. A pergunta correta é: esse movimento ajuda ou atrapalha o povo sergipano?
Porque, no fim das contas, o lado que importa não é o lado da intriga, da espuma ou da disputa pequena. O lado que importa é o lado do sergipano.
E esse é o ponto: Rogério Carvalho pode até mudar de trincheira política, mas sua história mostra que ele nunca saiu do lugar onde sua trajetória foi construída. O campo da saúde, da gestão pública e da defesa de Sergipe.
O Rogério em que se deve acreditar não é apenas o que criticou ontem ou o que dialoga hoje. É o Rogério cuja biografia precisa ser medida pelo que já entregou, pelo que representa e pelo compromisso que ainda pode assumir com o futuro do Estado.
A política muda. As alianças mudam. Os palanques mudam.
Mas história não se apaga com provocação. E serviço prestado não desaparece por conveniência de debate.
Se ainda não sabe em qual Rogério deve-se acreditar, eu acredito no Rogério dos sergipanos!



