Quando uma emissora troca cinco jornalistas em um intervalo curto de tempo, o problema não está na redação. Está no comando. Isso não é ajuste editorial, é colapso administrativo. É o som clássico da incompetência ecoando pelos corredores: muito ruído, nenhuma direção.
Um mega ruído, hoje opera como uma frequência desregulada. Não por acaso. Falta preparo técnico a quem ocupa a superintendência e falta discernimento a quem possivelmente arrendou de forma irregular o ativo e não soube sequer escolher um profissional minimamente competente para conduzi-lo. Um erro em cascata. Um atestado público de incapacidade gerencial.
Rádio exige método, liderança e compreensão profunda de gente e de conteúdo. Quando isso não existe, o resultado é previsível: equipes desmontadas, jornalistas descartáveis, clima de improviso e uma programação que mais confunde do que comunica. O que deveria ser voz vira barulho. O que deveria ser estratégia vira tentativa.
E o mais revelador: nem para servir aos interesses políticos que gravitam em torno da emissora a gestão consegue funcionar. A rádio foi arvorada — ainda que de forma questionável — como instrumento, mas nem como ferramenta ela se sustenta. Quando não se consegue atender nem ao próprio padrinho, não é disputa ideológica: é falência operacional.
Quem arrenda e escolhe mal revela tanto quanto quem executa mal. Um por não saber fazer, o outro por não saber escolher. Juntos, produzem o pior dos cenários: uma concessão pública transformada em experimento amador, sem norte, sem critério e sem autoridade.
No fim das contas, a emissora não encolhe por falta de audiência. Encolhe por excesso de ruído. Ruído de gestão fraca, de liderança despreparada e de decisões erradas. Um barulho que denuncia, sem precisar citar nomes, que ali falta talento, falta comando e experiência. Falta tudo.
Só o tal do Cabelinho, que nem falta faz.



