Sem Rodrigo, Fábio só gargalha.

A política não perdoa erros básicos. E, quando eles acontecem por vaidade, desorganização ou miopia estratégica, o preço costuma ser alto. O agrupamento liderado pela prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, caminha perigosamente para um desses erros clássicos: deixar Rodrigo Valadares fora da disputa pelo Senado.

Não se trata aqui de preferência pessoal, amizade ou afinidade ideológica rasa. Trata-se de política real, voto real e capacidade comprovada de mobilização eleitoral. Entre todos os nomes ventilados, Eduardo Amorim, Delegado André Davi e outros, Rodrigo Valadares é, objetivamente, o único que já provou que sabe disputar eleição majoritária em ambiente hostil, voto a voto, palmo a palmo.

Rodrigo não é promessa. É fato político. Já foi testado nas urnas, já construiu base, já mostrou capilaridade no interior e na capital, tem equipe, tem discurso claro e, principalmente, tem identificação com um eleitorado específico e numeroso: o eleitor bolsonarista, conservador, de direita, que hoje se sente órfão de representação efetiva no estado. Esse eleitor se vê em Rodrigo. Reconhece nele alguém que fala a mesma língua, defende as mesmas pautas e enfrenta o sistema sem tergiversar.

Comparar isso com outros nomes é ignorar a realidade. Eduardo Amorim é, sem dúvida, um operador político experiente, transita bem nos bastidores, tem história e respeito. Mas política não se vence apenas com trânsito interno. Eleição se vence com voto, e, goste-se ou não, Eduardo é ruim de voto. Isso não é ataque, é constatação histórica. Já foi testado e não respondeu nas urnas à altura da sua influência.

O mesmo vale para o Delegado André Davi. Figura respeitável, discurso técnico, imagem pública positiva. Mas não tem musculatura política, não tem lastro eleitoral e não tem estrutura para uma disputa de Senado, que é uma das eleições mais duras do país. Senado não é laboratório, não é teste de nome, não é espaço para improviso.

Enquanto a oposição se perde nessas escolhas erradas, a situação samba em cima do erro alheio. O governador Fábio Mitidieri agradece. Assiste de camarote a um agrupamento que deveria estar se fortalecendo, mas que prefere se desgastar internamente, errar leitura de cenário e apostar contra a lógica eleitoral. Cada decisão equivocada da oposição é um ponto a mais para quem está no poder.

E é justamente por isso que a fala de Moana Valadares ganha peso político. Quando ela afirma que deixar Rodrigo fora da disputa seria uma traição, ela não fala apenas como esposa. Fala como alguém que entende o jogo e percebe o óbvio: há um capital político sendo desperdiçado de forma irresponsável. Nesse ponto, Moana está absolutamente certa.

A eleição para o Senado em Sergipe não será fácil. O tabuleiro é pesado. Há nomes tradicionais, máquinas consolidadas, estruturas robustas e forças históricas em jogo: Rogério Carvalho, André Moura, Edvaldo Nogueira, Alessandro Vieira. Justamente por isso, abrir mão do único nome da oposição que já mostrou viabilidade eleitoral concreta é um erro grosseiro, quase infantil.

Política não é sobre quem agrada mais aos gabinetes. É sobre quem conversa com o povo, quem mobiliza, quem converte discurso em voto. E, hoje, Rodrigo Valadares é o nome mais competitivo da oposição para o Senado. Ignorar isso não é estratégia. É cegueira.

Se o agrupamento de Emília Corrêa insistir nesse caminho, não estará apenas errando uma escolha. Estará assinando embaixo de mais uma derrota anunciada, entregando de bandeja uma eleição que exigia coragem, leitura correta e pragmatismo político.

Na política, errar faz parte. Persistir no erro é opção. E essa opção costuma custar caro.

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