Não adianta, governador, ficar em silêncio.
Silêncio hoje não é neutralidade. É escolha. É posição política.
Porque enquanto o senhor se cala, o povo se pergunta:
por que ainda?
Por que ainda sustentar?
Por que ainda carregar esse peso?
Por que ainda permitir que um mandato contaminado continue respingando no governo inteiro?
E agora tem mais.
Tem o escândalo das marmitas.
Tem os valores que o povo vê, comenta e estranha.
Tem a sensação de superfaturamento que corre nas ruas, nos mercados, nas esquinas de Capela.
Isso não é detalhe.
Isso é um prato indigesto para qualquer governo.
Isso é uma refeição amarga para quem prometeu cuidar do povo.
Isso é a política sendo servida fria, cara e com gosto de injustiça.
Enquanto o trabalhador da usina, ainda amarga o calote,
tem quentinha virando símbolo de desperdício.
Enquanto o povo aperta o cinto,
tem marmita que parece luxo pago com dinheiro público.
Não é só feio.
É revoltante.
É ofensivo.
É um tapa na cara de quem acorda cedo pra sobreviver.
O problema já deixou de ser só do deputado da usina.
Agora é problema de quem tolera.
De quem sustenta.
De quem continua sentado à mesa fingindo que a comida não está estragada.
Cada novo escândalo é mais um ingrediente nesse prato tóxico.
E o povo não engole mais.
Porque política é associação.
Quem anda junto, responde junto.
Quem se cala, divide o desgaste.
Quem não corta, aceita o custo.
E esse custo é alto:
Custa credibilidade.
Custa confiança.
Custa voto.
Custa o discurso de mudança.
O governo não pode continuar servindo silêncio como resposta.
Porque o silêncio virou cumplicidade aos olhos do povo.
Hoje a pergunta não é mais:
“o que esse deputado fez?”
A pergunta é:
por que ele ainda está aí?
por que ainda é protegido?
por que ainda tem espaço dentro do governo?
Não adianta se calar, governador.
O povo está de estômago embrulhado.
De saco cheio.
De consciência acordada.
Esse escândalo das marmitas não é só um detalhe administrativo.
É um símbolo.
É a prova de que a política virou usina.
Usina de escândalo.
Usina de desgaste.
Usina de descrédito.
E todo dia que isso continua,
o governo é quem paga a conta.



