Um final sem grandes surpresas

O agrupamento da prefeita Emília Corrêa, em Aracaju, vinha atravessando um momento de estabilidade política. As peças estavam posicionadas, o diálogo fluía e havia um entendimento claro dentro do grupo: Valmir era o nome natural para disputar o Governo de Sergipe.

Mas a política, como sempre, muda quando os interesses se reorganizam.

O rompimento envolvendo o vice-prefeito André Marques e o deputado federal Rodrigo Valadares, um dos mais firmes aliados de Bolsonaro no estado, redesenhou o tabuleiro. A partir daí, Ricardo passou a caminhar ao lado de Rodrigo e lançou-se como candidato ao Governo, formando uma chapa que se apresenta como o palanque bolsonarista em Sergipe. E será.

No outro campo, o governador Fábio Mitidieri caminha para a reeleição e tende a se consolidar como o palanque do presidente Lula no estado.

Nesse cenário, o desenho político parece evidente: Mitidieri entra confortável na disputa, com a força da máquina administrativa e com lugar praticamente assegurado no segundo turno.

A disputa real passa a ser outra: quem enfrentará Mitidieri na segunda etapa da eleição.
E é aí que surge a grande questão.

Nos últimos meses, Sergipe assistiu a uma espécie de novela política protagonizada por Ricardo. Foram semanas de lamentações públicas, vídeos nas redes sociais e um discurso constante de vitimização: aliados que saíram, cargos que foram perdidos, secretarias esvaziadas.

De repente, Ricardo parece ter trocado a política pelo papel de blogueiro de si mesmo, uma tentativa de replicar a estratégia digital da direita nacional, mas sem a mesma convicção ideológica, e sem o mesmo convencimento.

E esse talvez seja o ponto central. O discurso bolsonarista não nasce da noite para o dia. Ele é construído ao longo de anos de militância, de posicionamentos claros e de enfrentamentos públicos. Rodrigo Valadares tem esse repertório. Ricardo, não.

Por isso, a tentativa soa artificial.

Sem discurso consistente, sem base ideológica consolidada e sem musculatura eleitoral evidente, a candidatura de Ricardo tende a cumprir outro papel no tabuleiro: embaralhar o jogo e dividir o campo que naturalmente gravita em torno de Valmir.

E, em política, dividir um campo quase sempre beneficia quem já está no poder.
Há quem veja nisso até uma conveniência estratégica para o próprio governo: quanto mais fragmentado o campo oposicionista, mais confortável fica a caminhada de Mitidieri rumo ao segundo turno.

Enquanto isso, Valmir segue sendo o nome que dialoga diretamente com o sentimento popular.
Valmir já venceu uma eleição para o Governo de Sergipe e vimos aquele resultado ser revertido no chamado “tapetão”. A história, porém, ainda guarda esse capítulo em aberto.

Se o jogo for disputado nas quatro linhas da democracia, como deve ser, a tendência é clara: Valmir entra na disputa com algo que nenhuma engenharia política consegue fabricar, o desejo genuíno de grande parte da população sergipana por mudança.
E quando esse sentimento se transforma em voto, não há estratégia de bastidores que consiga contê-lo.

Sergipe conhece Valmir.
E, pelo que se desenha no horizonte político, a história pode estar preparando sua volta, e mais uma vez, pelas mãos do povo

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