SINAL RAREADO EM SERGIPE, DEIXA A POPULAÇÃO ORFÃ

Enquanto a imprensa nacional tem mostrado disposição para enfrentar escândalos e denunciar abusos de poder, em Sergipe cresce uma sensação incômoda: a de que certos temas simplesmente não chegam às manchetes. E quando não chegam, o silêncio passa a incomodar tanto quanto o próprio fato.

A TV Sergipe, afiliada da Globo, tem noticiado escândalos nacionais, como as investigações envolvendo o Banco Master e outros episódios que repercutem no país. A TV Atalaia também tem aberto espaço para indignações que ecoam em todo o Brasil, como os debates recentes envolvendo a deputada Erika Hilton e o funcionamento de comissões no Congresso. São temas legítimos, importantes e que merecem atenção.

Mas a pergunta que ecoa nas ruas, nas redes e nos grupos de WhatsApp é outra: por que, quando o assunto envolve denúncias que atingem diretamente Sergipe e o povo sergipano, o silêncio parece maior?
Sergipe tem uma imprensa forte, com profissionais respeitados. A Fan FM, com sua audiência gigantesca e um jornalismo ancorado pelo experiente e sagaz Narciso Machado sempre abriu espaço para o debate público. A Metropolitana FM, com seu estilo direto e popular de Focca, também conversa diariamente com a população sobre os problemas do estado. A Rio FM, com o trabalho consistente de Luiz Carlos Ferreira, é outro exemplo de comunicação que dialoga com o povo.

Ou seja: profissionais competentes não faltam. Estrutura, alcance e capacidade de repercussão também não. Ainda assim, quando surgem denúncias envolvendo o chamado “deputado da usina”, a cobertura parece rarear. E é justamente aí que nasce a indignação popular.

Contratar trabalhadores humildes para a dura lida do corte de cana e não pagar pelo trabalho realizado não é apenas uma irregularidade administrativa. É uma violência social. É explorar quem depende daquele dinheiro para colocar comida na mesa de casa.

Do mesmo modo, relatos de despesas que desafiam o bom senso — como 64 mil reais em reparos de pneus em apenas 30 dias — levantam questionamentos que qualquer cidadão comum faria. São fatos que pedem explicações claras, investigação e acompanhamento jornalístico.

Quando isso não acontece, surge a sensação de que certas emissoras e veículos locais estão mais preocupados em repercutir pautas distantes do que em defender os interesses do povo sergipano. Em alguns momentos, parece que não são veículos de Sergipe, mas emissoras de fora, desconectadas das dores e indignações da população daqui.

Essa sensação aumenta a saudade de um tempo em que o jornalismo investigativo no estado tinha mais coragem de enfrentar os poderosos. Muita gente lembra com respeito e admiração do estilo combativo que marcou o CINFORM, de Antônio Bonfim, nos bons tempos de Jozailton Lima. Um jornalismo duro, investigativo, que incomodava quem precisava ser incomodado e não tinha medo de fazer perguntas difíceis.

Hoje, muitos sergipanos sentem que o estado ficou órfão desse tipo de jornalismo.

E um estado não pode viver acuado. Não pode aceitar que denúncias graves desapareçam do debate público. Não pode se acostumar com o silêncio quando quem sofre as consequências é o povo trabalhador.

Sergipe não precisa de uma imprensa silenciosa.
Precisa de uma imprensa corajosa.
Porque quando a imprensa se cala diante de possíveis injustiças, quem paga a conta é sempre o mesmo: o povo.
O mesmo povo que por razões obvias, estão cada vez mais, se afastando dos grandes canais, e se aproximando dos micro canais que os tratam com macro respeito.

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