Que a gente prenda, quem deveria prender

O que está acontecendo com a Polícia Militar do Pará é uma vergonha institucional que envergonha o Estado e agride diretamente o povo paraense. Em pleno dezembro de 2025, o que se vê em Belém e na região metropolitana não é política de segurança pública, é ostentação de força, intimidação cotidiana e um abuso que já deixou de ser exceção para virar regra.
Nunca se viu tantas blitzes espalhadas pela cidade como agora. Em horários estratégicos, em locais previsíveis, repetidas à exaustão. O cidadão trabalhador, que sai cedo e volta tarde, é tratado como suspeito permanente. O direito de ir e vir virou concessão. A farda, que deveria proteger, passou a constranger.
Blitz não é espetáculo. Blitz não é palanque. Blitz não pode ser instrumento de medo. Segurança pública se faz com inteligência, investigação, presença qualificada e respeito. Não com cerco, abuso de autoridade e arbitrariedade disfarçada de rotina operacional.
E diante desse excesso, a pergunta que ecoa nas ruas, nos carros parados e nos olhares constrangidos é inevitável: a quem interessa esse volume anormal de blitz?
Estamos falando de segurança ou de arrecadação informal? De prevenção ou de um possível caixa dois institucionalizado, sustentado pelo medo, pela pressão psicológica e pela vulnerabilidade do cidadão comum?
É legítimo questionar. É saudável desconfiar. E é dever da sociedade repudiar qualquer prática que transforme a polícia em instrumento de opressão ou, pior, em balcão informal de negociação à margem da lei.
O Pará não merece isso. Nossa gente não merece isso. A farda não pode ser usada para humilhar, extorquir ou silenciar. Quem abusa do poder mancha a instituição inteira — e joga contra os próprios policiais que ainda honram o juramento que fizeram.
Segurança pública não se impõe pelo excesso. Se constrói com legalidade, transparência e respeito. O resto é abuso. E abuso não se normaliza. Se denuncia. Se enfrenta. E se repudia.

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