A entrevista de Marquinhos Mascarenhas à TV Capela escancara uma realidade que muita gente de Siriri já sente na pele há anos, mas que poucos têm coragem de dizer com todas as letras. Antes de tudo, é preciso reconhecer o papel da TV Capela, que cumpre uma função essencial: abrir espaço para o debate, ouvir vozes diferentes e dar visibilidade a temas que incomodam o poder de plantão. Comunicação responsável também é isso.
Marquinhos, que já foi candidato a prefeito por duas vezes e pode disputar novamente, tocou num ponto sensível ao definir Siriri como um “bolsão de família” — uma analogia direta à Bolsa Família, mas com um sentido perverso: segundo ele, os benefícios, cargos e atenções da prefeitura não chegam a quem mais precisa, e sim a parentes, amigos e aliados políticos.
Estamos falando de uma cidade que vive, há anos, sob o comando do mesmo sistema perverso que não olha para os mais necessitados. Desde do antigo prefeito, que ficou por dois mandatos, mais a atual gestão da senhora Daiane que a população não vê nem sente mudanças estruturais reais. Quando o poder se perpetua, o risco é claro: a máquina pública deixa de servir ao povo e passa a servir a um grupo.
O resultado disso é cruel. Famílias que realmente precisam ficam à margem. Falta assistência, falta oportunidade, falta política pública de verdade. Enquanto isso, cresce a sensação de injustiça e abandono. Não é só uma crítica política, é um alerta social.
Siriri não pode continuar refém de um modelo onde a prefeitura funciona como extensão de sobrenomes.
Gestão pública não é herança, não é favor e não é prêmio para aliados. É dever constitucional servir a todos, especialmente aos mais vulneráveis.
A fala de Marquinhos Mascarenhas aponta para algo maior: a necessidade urgente de mudança. Mudança de práticas, de mentalidade e, principalmente, de comando. Democracia não combina com eternização no poder.
Alternância não é ameaça; é oxigênio.
Quando a política se fecha em família, o povo paga a conta. E Siriri já pagou demais.



