O mercado imobiliário brasileiro entra em 2026 com um cenário de otimismo cauteloso, mas consistente. A expectativa é de que o setor registre um crescimento em torno de 10% ao longo do ano, impulsionado principalmente pela manutenção da demanda por moradia e por ajustes estruturais no crédito habitacional.
Mesmo após um período de retração no volume de financiamentos, provocado pelo patamar elevado da taxa básica de juros, o setor demonstrou resiliência. A busca por imóveis, especialmente residenciais, segue aquecida tanto por famílias que desejam a casa própria quanto por investidores que enxergam no imóvel um ativo seguro e de valorização contínua.
O desempenho mais tímido observado no ano anterior esteve diretamente ligado à redução do crédito disponível, principalmente nos segmentos de médio e alto padrão. Com financiamentos mais caros e maior rigor nas concessões, muitas negociações foram adiadas. Ainda assim, o mercado não perdeu força estrutural: houve reorganização, adaptação de produtos e fortalecimento de alternativas como entrada maior, negociações diretas com construtoras e planos de pagamento mais flexíveis.
Para 2026, o cenário começa a se equilibrar. A expectativa é de que haja maior estabilidade nas fontes de financiamento imobiliário, especialmente aquelas ligadas ao Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), além do fortalecimento de políticas públicas voltadas à habitação. A ampliação das faixas de atendimento dos programas habitacionais, incluindo famílias de renda intermediária, tende a destravar uma parcela importante da demanda reprimida.
Outro ponto relevante é a percepção de que o imóvel continua sendo um dos investimentos mais sólidos do mercado. Em tempos de incerteza econômica, a segurança patrimonial, a proteção contra a inflação e a possibilidade de geração de renda com aluguel tornam o setor ainda mais atrativo. Isso contribui para manter o fluxo de compradores ativos, mesmo diante de um crédito mais seletivo.
O crescimento projetado não indica apenas aumento no número de vendas, mas também maior dinamismo em toda a cadeia produtiva: construtoras, corretores, incorporadoras, imobiliárias, fornecedores de materiais e serviços técnicos tendem a sentir os reflexos dessa retomada gradual.
Na prática, a previsão de expansão de 10% representa um mercado mais aquecido, com maior circulação de capital, novas oportunidades de negócios e retomada da confiança do consumidor. Não se trata de um crescimento explosivo, mas de uma evolução sólida, construída sobre fundamentos reais: demanda constante, reorganização do crédito e fortalecimento dos programas habitacionais.
Para quem atua no setor, 2026 se desenha como um ano estratégico. Mais do que vender, será o momento de planejar com inteligência, oferecer soluções financeiras viáveis e trabalhar produtos alinhados ao novo perfil do comprador. O mercado não apenas cresce,mas ele amadurece.



