Imagine se fosse um deputado aliado do governo…
Imagine se um deputado aliado do governo, tivesse agredido uma mulher em Capela-SE
Imagine se, nessa história, aparecessem também a esposa e uns capangas.
Imagine se toda a cidade de Capela, soubesse disso.
Imagine mais ainda, que o senhor governador e todos os órgãos competentes do Estado, “fechassem os olhos” para o ocorrido.
Imaginou?
Agora imagine como o silêncio seria revoltante.
Pior, e se o silêncio fosse interpretado como cumplicidade.
Porque violência contra a mulher não pode ter lado. Não pode ter conveniência. Não pode depender de quem é o acusado. Sergipe acabou de viver um final de semana marcado pela dor: duas mulheres perderam a vida. Duas famílias destruídas. Dois gritos que não podem ser ignorados. E agora, mais outro, na noite de 24/03/2026 – ontem.
E diante disso, o mínimo que se espera é coerência.
Se há denúncia, que se investigue. Se há indícios, que se apure. Se há verdade, que ela apareça. Doa a quem doer. Até porque se há boletim de ocorrência, se há coação a vitima, que se investigue. Que se cumpra a lei, sem prevalecer ninguém.
O que não dá é para escolher quais casos merecem indignação e quais merecem silêncio. Não dá para ser rigoroso com uns e complacente com outros. Não dá para fechar os olhos quando não convém.
Porque quem relativiza a violência, também se torna parte do problema.
E imaginar, que Sergipe pode ser conivente com isso, imaginar que o governador tem ciência de um causo desse e deixar de lado, seria mais uma agressão- e a pior delas- a todas as mulheres do nosso Estado.
Eu prefiro acordar desse pesadelo, onde aliados forasteiros podem tudo. Onde o senhor governador, tudo sabe e a tudo se cala. Tudo permite.
Fico imaginando, se talvez no imaginário, isso fosse receio do chicote do rapaz, que como imaginamos, açoita aliados, trabalhadores rurais, mulheres, crianças, e tudo que vá ao encontro de sua vontade.
Olha, de tanto imaginar, eu vou ficar por aqui. Afinal, tão agressivo quanto agredir uma mulher, é imaginar que o governador e o governo, pudessem ser coniventes com isso. Eu fico só imaginando, o que Sergipe e os sergipanos poderiam imaginar, se na imaginação, qualquer pessoa fosse procurar saber dessa historia em Capela.
Capela, terra tradicional da festa do mastro, seria até sádico imaginar, que a agredida também trabalhasse com festa. Cris, Maria, Joana, Josefa, Rafaela…Qual seria o nome? GalegoFest ou ChicoteFolia? No imaginário, Sergipe não merecia.



