No que parecia ser um cenário de tranquilidade e unidade no agrupamento governista, o jogo político em Sergipe ganhou uma reviravolta que expôs fissuras duradouras e transformou aliados em alvos de farpas públicas.
Durante muito tempo, o discurso oficial do grupo no poder foi de que o terreno estava consolidado, unido e sem contradições internas à beira das eleições de 2026. A imagem projetada era de uma base sólida em que todos marchariam coesos, do palanque à urna. Mas essa fachada caiu por terra quando o senador e pré-candidato à reeleição Alessandro Vieira começou a abrir fogo contra o colega André Moura, também pré-candidato ao Senado e figura importante no mesmo agrupamento político.
Em entrevista recente, Alessandro não poupou palavras: deixou claro que sua política não se mistura com o método do colega e ainda disparou que ele dorme tranquilo porque não tem a polícia batendo na sua porta — algo, segundo ele, que o outro corre “sempre” o risco de enfrentar. O tom não foi mera metáfora: mais do que uma crítica, foi uma afirmação que corta fundo e reacende debates sobre posturas e condutas políticas que já rondam o nome de André Moura.
Até então, a articulação que selou a união entre o governador e os dois senadores órfãos de divisão interna era vista como exemplo de capacidade de conciliação no grupo. Mas agora, longe de sugerir harmonia, a aliança expõe tensões profundas — tanto pessoais quanto estratégicas — que se arrastam sob a superfície e vieram à tona em meio à disputa por espaço e protagonismo na campanha que se aproxima.
A trajetória de André, político com longa experiência e trânsito em diferentes poderes, incluindo como líder de governo no Congresso e gestor de cargos executivos, sempre foi marcada por articulações robustas e força política considerável. Já Alessandro, com uma postura mais confrontativa em certas frentes e busca por independência, ontem caçador de voto e liderança, agora se coloca também como caça nessa disputa interna.
É justamente essa dinâmica que revela o novo jogo: não se trata mais de competir com adversários externos, mas de enfrentar irmãos de agrupamento, expondo rivalidades que podem mexer seriamente com a estabilidade do grupo no governo. O que parecia uma base sólida virou campo de batalha, e aqueles que ontem eram promotores da unidade agora se confrontam em público com acusações, insinuações e disputas declaradas por relevância política.
Se nas eleições a regra é que “o caçador pode virar caça”, hoje essa máxima ecoa de forma viva nas estratégias e nas palavras de quem disputa voto e narrativa num cenário que parecia arrumado por dentro, mas que agora se mostra cheio de rachaduras.



