APOSTA ERRADA

Nos últimos meses, o cenário político sergipano tem dado sinais claros de que algo não vai bem no entorno do governador Fábio Mitidieri. Não se trata ainda de um rompimento generalizado, nem de uma crise declarada, mas os movimentos são visíveis para quem acompanha de perto os bastidores.

A política, como se sabe, é feita de presença, articulação e, principalmente, de permanência. E quando aliados começam a se afastar, ainda que de forma silenciosa, o alerta acende.

Nos corredores, já se fala em perdas importantes dentro do agrupamento governista. Nomes que antes orbitavam com naturalidade ao redor do projeto político de Fábio começam a adotar posturas mais independentes, redesenhando suas posições e, em alguns casos, abrindo caminhos próprios. É o tipo de movimento que não acontece por acaso.

Mais do que declarações públicas, são os gestos que falam mais alto: ausências, silêncios, agendas desencontradas e, principalmente, a diminuição do entusiasmo político.

E talvez o episódio mais simbólico recente tenha ocorrido no último sábado, em Capela.

O evento, promovido por um deputado aliado — que vem, inclusive, enfrentando um desgaste constante e quase que imensurável – era esperado como uma demonstração de força. Mas o que se viu foi o oposto: uma mobilização aquém do esperado.

Prefeitos convidados simplesmente não compareceram em peso. A ausência foi sentida. O esvaziamento político foi evidente. A composição do público, majoritariamente formada por funcionários da prefeitura e cargos comissionados, acabou evidenciando ainda mais a fragilidade do ato. Faltou aquilo que realmente valida um evento político: adesão espontânea, presença de lideranças e sinalização de força orgânica.

E isso levanta uma questão inevitável: até que ponto o governador Fábio Mitidieri e o ex-deputado André Moura, dois nomes reconhecidamente experientes e estrategistas, irão insistir em alianças que demonstram sinais claros de desgaste?

A política exige leitura de cenário. E, mais do que isso, exige capacidade de correção de rota.

Não se trata de decretar derrota, longe disso. Fábio ainda é um governador com estrutura, mandato e capacidade de articulação. O jogo político é dinâmico, e reviravoltas fazem parte da sua essência.

Mas ignorar os sinais pode custar caro.

Perder aliados, ainda que gradualmente, é perder terreno. E, na política, espaço vazio nunca permanece vazio por muito tempo. O momento, portanto, não é dos mais confortáveis para o grupo governista. É um momento de atenção, de ajustes e, sobretudo, de decisões estratégicas.

Porque, no fim das contas, a pergunta que fica no ar é simples, e decisiva:
o governo vai reagir… ou continuar passando a mão na cabeça do seu forasteiro de estimação, assistindo ao seu entorno se desfazer aos poucos?

Eu aposto, aposta errada!

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