Mercado imobiliário 2026: o que muda no aluguel, nos impostos e na segurança de quem investe

Entre a proposta do despejo mais rápido via cartório e os efeitos práticos da Reforma Tributária, o setor imobiliário entra em uma nova fase: mais agilidade, mais organização e novas regras que todo mundo precisa entender.

O ano de 2026 marca uma virada importante para o mercado imobiliário brasileiro. Duas mudanças caminham juntas e prometem transformar a relação entre proprietários, inquilinos, construtoras e investidores:
a proposta de agilização do despejo por meio do cartório e a implementação da Reforma Tributária do consumo.

Não se trata de facilitar abusos nem de aumentar dificuldades para quem precisa morar. A lógica é outra: dar mais previsibilidade ao sistema, reduzir a informalidade e organizar um mercado que sempre foi travado pela lentidão judicial e pela confusão tributária.

O que é o “despejo em cartório” e o que realmente muda?

O projeto de lei que trata do tema ainda não virou lei, mas já avançou bastante no Congresso. Ele propõe que a primeira etapa do despejo por falta de pagamento passe a ser feita em cartório, e não diretamente no Judiciário.
Na prática, funciona assim:

O proprietário solicita ao cartório a notificação formal do inquilino inadimplente;
O inquilino tem 15 dias para pagar a dívida ou desocupar voluntariamente o imóvel;
Se não houver acordo, aí sim o caso vai para a Justiça, já com a documentação pronta, permitindo pedido de desocupação liminar.

Ou seja:
cartório não tira ninguém à força.
O cartório organiza, formaliza e acelera a fase inicial do processo. A retirada compulsória continua sendo decisão judicial.

Isso muda muita coisa para o mercado.

Hoje, um despejo pode levar meses, às vezes anos. Com a nova lógica, o tempo de reação contra a inadimplência tende a cair drasticamente. Isso reduz o risco de quem aluga e pode estimular mais pessoas a colocarem imóveis no mercado.
Mais oferta normalmente significa:

mais concorrência, mais opções para quem busca alugar, e, no médio prazo, mais equilíbrio nos preços.

Para o inquilino que paga em dia, praticamente nada muda.
Para o inquilino que enfrenta dificuldades, a negociação precisa acontecer mais cedo. O sistema fica menos tolerante à inadimplência prolongada, mas mais claro nas regras.

A Reforma Tributária: por que o imobiliário está no centro dela?

A Reforma Tributária unificou vários impostos sobre consumo em dois principais:
CBS (federal) e, IBS (estadual e municipal). É o modelo de “IVA”, já usado em muitos países. Ele não começa com tudo funcionando de uma vez, mas 2026 é o ano em que os sistemas começam a rodar de verdade, mesmo que em fase de adaptação.

No mercado imobiliário, isso afeta três frentes principais:

  1. Construção civil
    A construção sempre sofreu com impostos acumulados ao longo da cadeia: material, serviços, projetos, mão de obra, licenças.
    Com o novo sistema:
    a tendência é maior clareza sobre quanto se paga e onde se paga;
    mas o período de adaptação será pesado: sistemas fiscais, contratos e preços precisarão ser revistos.
    2026 será um ano de ajustes internos para construtoras e incorporadoras.
  2. Aluguel
    Aqui está o ponto mais sensível.
    A legislação passou a incluir locação, cessão e arrendamento no escopo dos novos tributos (IBS e CBS), mas com regras especiais e redutores, principalmente para locação residencial e para pessoas físicas.
    O que isso significa na prática:
    aluguel residencial comum tende a ter tratamento diferenciado, com menor impacto direto;
    locação comercial e empresarial tende a ser mais afetada e dependerá de regulamentação específica;
    2026 será o ano em que o mercado vai entender como isso se aplica na vida real.
    É o típico cenário de: “a lei existe, mas os detalhes operacionais é que vão mostrar o tamanho do impacto”.
  3. Compra, venda e investimento
    Mesmo quando o imposto não aparece para o consumidor de forma explícita, ele aparece embutido:
    no custo da obra, nos serviços imobiliários, na estrutura de investimentos, e no preço final do imóvel.
    O mercado deve passar por:
    um período de reprecificação, revisão de contratos, e maior profissionalização contábil e fiscal.

    Por que essas duas mudanças juntas são tão fortes?

    Porque elas mexem exatamente nos dois pilares do aluguel:
    risco jurídico (despejo lento e incerto), e custo estrutural (tributação confusa).
    Se o despejo se torna mais previsível e a tributação mais organizada, o mercado fica mais seguro para investir.
    Isso tende a gerar:
    mais imóveis para locação, mais investidores entrando no segmento, mais profissionalismo nas relações contratuais.

    O que muda para cada perfil?

    Para quem aluga:
    contratos mais formais, negociação mais rápida em caso de dificuldade e menos espaço para inadimplência prolongada.
    Para quem é proprietário:
    organização documental vira essencial. Contrato bem feito, controle financeiro e formalidade passam a ser ativos.
    Para quem trabalha no mercado:
    2026 é o ano de rever processos, entender a Reforma Tributária e atualizar modelos de negócio.


    2026 não é o ano do “fim do aluguel fácil” nem do “despejo sem humanidade”.
    É o ano em que o mercado imobiliário brasileiro começa a operar com regras mais claras, mais rapidez e mais profissionalismo.
    Menos improviso.
    Menos insegurança.
    Mais previsibilidade.
    E, no mercado imobiliário, previsibilidade é sinônimo de estabilidade, investimento e crescimento saudável.

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