Sinuca de bico!

A política, quando chega ao seu ponto mais alto, deixa de ser discurso e vira xadrez. E, neste momento, o Pará assiste a uma jogada em que ninguém parece ter todas as peças sob controle. Especialmente o União Brasil.

A saída de Celso Sabino do Ministério do Turismo não é um fato isolado, tampouco administrativo. Ela carrega simbolismo, mágoas mal resolvidas e um enredo que expõe, com clareza, a crise de identidade de um partido que já não sabe se caminha à direita, se flerta com o centro ou se volta, constrangido, para debaixo do guarda-chuva do Palácio do Planalto.

Sabino foi expulso da União Brasil justamente por se recusar a romper com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Preferiu a fidelidade ao governo federal a obedecer a um comando partidário que sonhava com protagonismo nacional próprio, capitaneado pelo Caiado. Perdeu o partido, manteve o ministério. Ironicamente entregou resultados, protagonizando articulações estratégicas e dando peso político à agenda ambiental, especialmente com os movimentos em torno da COP30 no Pará.

Agora, meses depois, o mesmo União Brasil parece ensaiar um retorno silencioso ao colo do governo Lula. Coincidência? Vingança mal disfarçada? Ou simples reconhecimento de que apostar numa direita fragmentada pode custar caro demais?

E é neste cenário que entra o governador Helder Barbalho, aliado direto de Lula, nome forte nacionalmente e líder absoluto nas primeiras pesquisas para o Senado. Helder joga com números, mas também com expectativas. E é exatamente aí que a sinuca de bico se forma.

De um lado, Helder sinaliza apoio público ao Chicão, presidente da Alepa, um nome que ainda aparece tímido nas pesquisas, mas que carrega um ativo importante: potencial de crescimento. Enquanto outros pré-candidatos já parecem próximos do teto, Chicão ainda está em fase de largada. E em política, largar com espaço para crescer pode ser mais valioso do que sair forte demais e estagnar.

Do outro lado está Celso Sabino. Sem partido, mas com discurso afinado com o Planalto. Sem ministério, mas com trânsito direto com o presidente. Um nome que, se ficar fora da chapa principal, já deixou claro: será candidato “por si mesmo”. E isso muda tudo.

Helder sabe que não pode romper com Lula. Também sabe que não pode rifar um aliado presidencial sem custo. Ao mesmo tempo, precisa organizar um palanque que seja viável eleitoralmente, coeso politicamente e sustentável no médio prazo. Apoiar dois projetos que disputam o mesmo espaço é inviável. Escolher apenas um é arriscado. Tentar agradar a todos pode ser fatal.

O União Brasil, por sua vez, assiste de fora — menor do que imagina ser, mais confusa do que admite. Um partido que expulsou quem ficou com o governo e agora parece buscar reaproximação, enquanto suas lideranças nacionais se perdem entre projetos pessoais e disputas internas.

O que vem agora não será simples. O famoso “jogo de cintura” de Helder Barbalho será testado como poucas vezes. Não basta liderar pesquisas; será preciso liderar arranjos, administrar egos e evitar que o tabuleiro se transforme em campo minado.

No meio disso tudo, permanece uma aposta silenciosa, mas estratégica: Chicão pode não ser o nome mais ruidoso hoje, mas talvez seja o que mais tenha espaço para crescer amanhã. Ressalto que na política, crescimento vale mais do que barulho momentâneo.

O Pará entra oficialmente, na fase em que alianças pesam mais que discursos, e onde cada movimento mal calculado cobra um preço alto. A sinuca está armada. Resta saber quem vai encaçapar a bola… e quem ficará sem jogada.

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