André Moura construiu uma trajetória política marcada pela habilidade de articulação e pelo trânsito nos principais centros de poder do país. Deputado federal por Sergipe em mandatos consecutivos, líder do Governo no Congresso Nacional e, mais recentemente, ocupante de cargos estratégicos no Governo do Estado do Rio de Janeiro, André chega ao cenário pré-eleitoral como um nome competitivo e com reais possibilidades de vitória na disputa pelo Senado.
Sua experiência, sua capilaridade política e sua capacidade de diálogo com diferentes forças nacionais o colocam naturalmente entre os protagonistas do próximo pleito. No entanto, uma análise mais cuidadosa do ambiente político sergipano revela um ponto de preocupação que não pode ser ignorado: a associação direta de sua pré-candidatura ao chamado deputado da USINA.
Nos bastidores da política e em municípios onde esse parlamentar mantém ou manteve influência direta, o que se observa é um crescimento contínuo da rejeição popular. Em cidades como Capela e Ilha das Flores, por exemplo, levantamentos internos e avaliações de lideranças locais apontam que a rejeição ao deputado da USINA já ultrapassa a casa dos 70%, chegando a 73% segundo dados que circulam entre agentes políticos e analistas eleitorais. Um índice considerado extremamente elevado para qualquer projeto que dependa de transferência de apoio.
Esse desgaste não surge do acaso. Ele é alimentado por episódios públicos que se acumulam ao longo do tempo e que impactam diretamente a percepção do eleitor. Um dos mais simbólicos ocorreu durante a prévia carnavalesca de Aracaju, o Pré-Caju, quando o deputado da USINA foi flagrado aos risos, afirmando que compraria todo e qualquer voto do interior do estado que fosse necessário. O desgaste de imagem ampliou-se nas redes sociais e passou a ser utilizado como chacota nos bastidores políticos do Estado. Símbolo de uma prática política que muitos sergipanos rejeitam de forma veemente, não é desse acessório que o André precisa nesse momento
A repercussão negativa desses episódios ajuda a explicar por que, em diversas agendas governamentais, a presença do deputado da USINA passou a ser vista como um peso político. Há relatos recorrentes de que, mesmo exercendo hoje a função de destaque na Assembleia Legislativa de Sergipe, sua participação em eventos oficiais tem sido evitada ou minimizada, justamente para não contaminar a imagem de ações institucionais do Executivo estadual.
Outro momento emblemático desse desgaste foi sua atuação na convenção do União Brasil, considerada vexatória por aliados e adversários, e que acabou se transformando em combustível para críticas e memes nas redes sociais, ampliando ainda mais sua rejeição junto ao eleitorado.
É nesse contexto que surge a preocupação legítima com André Moura. Não pela sua capacidade política que é amplamente reconhecida, mas pelo custo eleitoral de se associar a uma figura cuja imagem pública carrega alto índice de rejeição e episódios incompatíveis com o discurso de renovação, respeito institucional e responsabilidade democrática.
O receio que cresce entre analistas e eleitores é que esse apoio, longe de somar, passe a subtrair, atingindo não apenas a candidatura de André ao Senado, mas também projetos mais amplos do campo governista, incluindo a própria estabilidade política do grupo no poder.
Sergipe observa, analisa e avalia. E, ao que tudo indica, começa a deixar claro que não aceita mais ser representado por práticas que pertencem ao passado, especialmente quando o futuro exige seriedade, credibilidade e compromisso real com a democracia.



